DDJ-REV7 com Rekordbox. Compensa?
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A DDJ-REV7 é uma controladora da AlphaTheta (antiga Pioneer DJ) que dispensa apresentações. Lançada em Janeiro/2022 foi projetada e vendida, incialmente, como equipamento exclusivo para o software Serato.
Em Março/2024 saiu a notícia que deixou muitos DJs animados, ou ao menos esperançosos: a partir desta data, a controladora passava a ser compatível também com o software Rekordbox. Foi o meu caso: usuário ávido do Rekordbox e que queria muito a possibilidade de pode utilizar uma controladora como a REV7 sem ter que migrar e se acostumar à outro software DJ.
Como qualquer equipamento DJ top de linha, seu valor não é baixo, principalmente no Brasil. Somente em Agosto/2025 decidi e consegui adquirir a minha DDJ-REV7.
Passados esses 7 meses utilizando e conhecendo a controladora, decidi fazer esse post para responder, na minha opinião, uma dúvida que outros DJs possam ter nesse momento de decidir por um upgrade em seu setup: "afinal, vale a pena comprar uma DDJ-REV7 para tocar com o Rekordbox?"
A resposta: como praticamente tudo que envolve a arte de ser DJ (estilo, técnica, software, equipamentos, etc) = DEPENDE
Depende do que? Do que você busca e o que não abriria mão em sua forma de tocar.
Digo isso porque ela entrega o diferencial que buscamos em um equipamento desse: a possibilidade de ter uma melhor resposta tátil ao tocar, devido aos seus jog wheels motorizados que simulam muito bem o funcionamento de um toca-discos. Além disso, traz também o mixer no modelo (praticamente idêntico) ao do DJM-S7 e telas LCD no centro dos jogs que permitem a visualização de diversas informações em tempo real (waveform, bpm, tom, minutagem, capa de albúm, entre outros).
Esse conjunto é ótimo para DJs que sempre se inspiraram e almejam tocar como DJs de performance (fazendo scratch, turntablism, etc). De quebra ainda ajuda a performar sem a necessidade de olhar tanto para o notebook, evitando a famosa "Serato Face".
O problema, que pode te fazer reconsiderar a aquisição do equipamento, é a tal da compatibilidade com Rekordbox. O fato é: o equipamento não é 100% compatível com o Rekordbox. Ou melhor: o Rekordbox não é 100% compatível com a DDJ-REV7.
É isso mesmo. Apesar do anúncio e propaganda da AlphaTheta referente à compatibilidade de ambos, não é bem assim que funciona na prática.
Ao utilizar a DDJ-REV7 para controlar o Rekordbox, você não poderá utilizar todos os recursos do software que está acostumado.
Você terá que abrir mão de pelo menos 2 recursos que, particularmente pra mim, são de grande uso durante a performance. Um deles considero como um dos maiores diferenciais do Rekordbox em relação à outros softwares DJ.
Então para responder a pergunta se compensa ter uma DDJ-REV7 para tocar com Rekordbox, você precisa primeiro se questionar se está disposto a abrir mão destas 2 funcionalidades.
Quais são as funcionalidades do Rekordbox que não funcionam com a DDJ-REV7?
1) CUE: um recurso dos mais utilizados pelos DJs, independente do software com que toca. Presente em praticamente qualquer controladora e CDJ (mesmo as mais baratas de entrada).
Esse mesmo, aquele botãozinho (na maioria das vezes identificado na cor laranja), sempre ao lado do PLAY/PAUSE, que serve para fazer uma "marcação temporária" na música e é muito utilizado na hora da contagem e disparo.
Muitas vezes o pivô de brigas entre técnicos de som, contratantes ou locadores de equipamentos com DJs que podem exagerar na frequência ou intensidade com que apertam tal botão. O famoso "dedo no CUE e gritaria".

De certa forma é compreensível não ter tal função ao tocar com uma DDJ-REV7. Isso porque a controladora simula a utilização e performance com toca-discos, que também não possuem tal função em sua essência.
Além disso, é um caso que pode ser contornado com uma solução alternativa: utilizar HOT CUES no modo GATE.
A maior diferença aqui é que você terá que salvar o trecho desejado (primeiro ou qualquer outro beat da música) como um HOT CUE que ficará salvo para sempre, ou até que você decida apagá-lo. Diferente do CUE que faz uma "marcação provisória" e desaparece automaticamente depois que você carrega outra música no deck.
Essa solução também tem um outro ponto fraco: os botões CUE e PLAY sempre ficam próximos por um motivo, que é facilitar a troca de acionamento entre CUE e PLAY na contagem e disparo da música.
Utilizando os pads de HOT CUE da REV7 no modo GATE, para simular um CUE, e então acionar o PLAY exige um pouco mais de coordenação e treino já que estes botões estão longe um do outro.
Mas se tem uma explicação para a ausência do CUE e uma solução alternativa para isso, porque trago isso como um problema?
Pra mim é um problema a partir do momento que tal limitação e necessidade de solução alternativa não existe no Serato, que é o software para qual a controladora foi projetada inicialmente.
Apesar de não existir o botão CUE fisicamente na controladora, você consegue "criá-lo" através de mapeamento MIDI no Serato. Você pode designar um outro botão, ou conjunto de botões (muitas vezes utilizada a combinação SHIFT + PLAY), para realizar a função CUE original. Funciona perfeitamente dessa forma no Serato, eu testei e comprovei.
O mesmo não acontece no Rekordbox. Você até consegue ir no menu e realizar o mapeamento MIDI para a função CUE. Mas, ao acionar, nada acontece. A função é simplesmente "deletada" do software quando você está com sua DDJ-REV7 conectada. Você não consegue nem mesmo acionar o CUE com o mouse, pois o botão literalmente desaparece do Rekordbox.
2) WAVEFORM PREVIEW: essa é pra mim uma das melhores funções do Rekordbox e que não existe no Serato.
Ela permite que você consiga escutar, somente no seu fone, uma música diretamente da sua coleção / playlist. Você pode escutar qualquer trecho específico, até mesmo os HOT CUES gravados, com apenas um clique na waveform da música, sem a necessidade de carregar a música em algum dos decks.
Exemplo:

Na imagem acima tem uma música carregada no deck 1 (21 Questions) e outra no deck 2 (Babylon By Gus).
Abaixo dos decks está a minha coleção / playlist selecionada com outras músicas disponíveis para uso.
Se eu clicar na waveform (forma de onda) de uma música que está ali na coleção, a música imediatamente começa a tocar, no ponto onde cliquei, em meu fone de ouvido (obviamente sem sair no master do equipamento e consequentemente na pista). Surge também um botão de PAUSE no começo da waveform para parar a reprodução no fone.
Qualquer que seja o ponto da waveform que eu clique (neste exemplo, o HOT CUE "C" da música Run It!), eu poderei ouvir a música a partir daquele trecho, apenas em meu fone, sem nem mesmo ter que carregá-la em um dos deck antes.
Essa é uma forma super prática e rápida para você conseguir saber exatamente qual é a música ou então como é o seu começo, refrão, final, hot cue ou qualquer outro trecho que desejar escutar.
Com apenas 1 clique você já consegue saber se é uma boa música para fazer sua próxima mixagem, se terá espaço na intro, casará bem, etc.
Além disso, é uma ótima ferramenta para caso você seja como eu e tenha dificuldade de lembrar de como são as músicas apenas pelos nomes.
Ou seja, você pode escutar rapidinho 1, 2, 3...infinitas músicas para saber se será uma boa próxima escolha, sem ter que carregar uma única dessas músicas no deck.
Aqui novamente teremos as "soluções alternativas".
Uma delas é o famoso "gato": você pode criar em seu notebook um dispositivo de áudio agregado (com canais da REV7 + saída de áudio do seu notebook) e então selecionar, nas configurações de áudio do Rekordbox, a REV 7 como canais de saída do MASTER e a saída do seu notebook como o canal de saída do preview.
Desvantagens dessa solução: você terá que ter/utilizar 2 fones diferentes, ou então ficar tirando seu fone da controladora e conectando no notebook quando quiser ouvir o preview por lá. Também notei uma queda na qualidade/volume do aúdio do master que sai da controladora desta forma.
O outro caminho é o "modo raíz" de tocar: é só carregar a música no deck e ouvir na sua pré-escuta do fone como todo DJ faz.
Sim, é uma forma de fazer. Muito mais demorada, exigindo mais "passos" e talvez até maior processamento do seu notebook, mas é a forma tradicional de um DJ saber como é e qual trecho da música utilizar antes de "soltá-la" ao público.
Se você não conhece ou simplesmente nunca utilizou essa pré-escuta diretamente da coleção do seu software, te convido a fazer alguns testes. Tenho certeza que verá que isso te faz ganhar muito tempo na escolha de próximas músicas.
Isso reduzirá o tempo em que você fica olhando para a tela do seu notebook ao invés do público (olha o Serato Face aqui novamente) e possivelmente lhe trará melhores escolhas de mixagens.
Imagina o cenário: você está tocando uma música e está em dúvida, entre 3 outras, de qual mixar e tocar na sequência.
Com essa funcionalidade, você pode ouvir a intro destas 3 músicas com apenas 3 cliques.
No "modo raíz", você terá que selecionar a 1ª música, carregá-la no deck, deixar no trecho que quer ouvir, selecionar a pré-escuta desse deck em sua controladora/mixar e ouvir.
Ir na 2ª música, selecionar, carregá-la no deck, deixar no trecho que quer ouvir, selecionar a pré-escuta desse deck em sua controladora/mixar e ouvir...e por ai vai, quantas vezes/músicas forem necessárias até que você esteja satisfeito com a sua escolha (ou apenas acomodado demais para continuar até encontrar uma opção melhor).
Já estou até imaginando alguns DJs que são contra a utilização de tecnologias e recursos que facilitam nossa vida falando: "não precisa disso", "na minha época não tinha nada disso", "DJ de verdade blábláblá"...
Eu tenho como referência e admiro muito DJs que tocam desde o vinil. Até por isso comprei a minha DDJ-REV7: para ter a sensação de tocar como nos toca-discos, mas com a praticidade e benefícios que uma controladora traz (na minha opinião são muitos, será assunto de outro post).
Mas não me prendo à essas regras de "DJ não pode usar isso ou aquilo", acredito que a gente deve utilizar tudo que esteja ao nosso alcance para entregar uma melhor experiência para quem está nos ouvindo.
Essas funcionalidades são exemplos disso. Na minha opinião não sou mais ou menos DJ por utilizar essas funções/tecnologias. Mesmo com elas, eu tenho que ler a pista, fazer uma boa seleção musical e mixagem para entregar um bom trabalho.
Pra mim, essa é a essência e objetivo do DJ.
NOTA: entrei em contato com o suporte global da AlphaTheta / Pionner DJ para expor estes 2 pontos e tentar encontrar soluções que não seriam "gatos". A principio me disseram que seria necessário adquirir um plano pago do Rekordbox CORE ou superior (mais de R$ 100,00/mês para nós brasileiros).
Sabia que não era o caso, pois estava utilizando a versão TRIAL do Rekordbox que permite utilizar todas as funções pagas de forma gratuita por um determinado período.
Mesmo assim segui a recomendação do suporte para não deixar dúvidas. E o resultado está nesse post: o Rekordbox não permite a utilização destas 2 funcionalidades quando utilizado em conjunto com a DDJ-REV7.
É uma pena, espero que no futuro possam resolver isso.
Acredito que não seja nada impossível de resolver com uma atualização de software ou firmware. Até porque, no caso do CUE, a função existe quando utilizamos o Serato. Assim fica claro que não é uma limitação física de hardware.
Em breve passarei a produzir vídeos onde mostrarei, entre outras coisas, essas limitações de na prática. Caso não tenha ficado claro por texto, será mais fácil de entender com vídeo.
CONCLUSÃO:
A DDJ-REV7 e o Rekordbox atualmente não são 100% compatíveis. Você não terá todas as funções do software ao utilizar a controladora.
Se você não faz questão de utilizar estas funcionalidades, então compensa você ter uma.
Do contrário, se não abre mão destes recursos, então não troque sua controladora pela REV7 por enquanto.
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GLOSSÁRIO
Serato Face: é um termo/gíria na cultura DJ para descrever a expressão facial vazia, focada ou inapropriada que um DJ exibe ao fixar o olhar excessivamente na tela do notebook ou equipamentos (como CDJs) enquanto toca, em vez de interagir com o público.
GATE: o modo GATE nos HOT CUES, quando ativo, transforma os pads em instrumentos de percussão vocal ou stabs, onde o som toca apenas enquanto o pad é mantido pressionado e para instantaneamente ao soltar. Ideal para performances criativas, essa função é diferente do modo padrão do HOT CUE que inicia a reprodução contínua (a música toca sem parar a partir do ponto que você apertou o HOT CUE).



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